Receptora de Óvulos

Ovodoação é a alternativa para muitas mulheres que por várias razões (baixa reserva, menor qualidade ovular ou múltiplas falhas) não conseguiram obter uma gestação. Hoje essa é uma das mais procuradas alternativas a gestar no mundo. Por mais de uma década me dedico a isso e tenho muito orgulho de ter ajudado mais de uma centena de casais por esse caminho.

O principio básico é oferecer óvulos advindos de mulheres mais jovens como alternativa de correção do problema ovular existente. Cabe à doadora realizar todo o tratamento de fertilização in vitro (FIV) e ao casal receptor o preparo do útero. Existe uma serie de normas orientadas pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), as quais devem ser seguidas, tais como: proibição de comercialização de óvulos; sigilo das informações; e anonimato das doadoras.

Todo processo deve ser feito com muita cautela e clareza para que o casal sinta-se seguro em suas decisões e cada etapa deve ser seguida com cautela.

É bastante comum que este modelo de tratamento seja indicado após exauridas as chances de sucesso com óvulos próprios. Estes casais normalmente apresentam uma baixa reserva ovariana e uma menor qualidade de formação de embriões. O que normalmente esta associada com uma idade da mulher mais elevada (acima dos 35 anos). Existem casos mais precoces motivados por menopausa precoce (insuficiência ovariana prematura), sequelas de tratamentos quimioterápicos (câncer) e endometriose (principalmente endometriomas).

Como outros tratamentos em reprodução humana a Ovodoação não é infalível. Levamos em consideração as idade da doadora para esse calculo. Atualmente as chances de sucesso são de aproximadamente 50% a 60% de êxito.

Depois de decidido pelo modelo iremos solicitar ao casal responder um questionário para conhecer detalhes sobre os candidatos e fazer um pareamento com as possíveis candidatas. Usaremos as informações solicitadas para essa combinação (esta etapa pode durar 1 a 6 meses a depender das características envolvidas); Após feita a combinação iremos começar o processo em si: a doadora será submetida a FIV (modelo usado) e a receptora apenas um preparo endometrial com medicações orais; O processo como um todo dura em média 15 a 20 dias; Os óvulos obtidos são fertilizados com o sêmen do casal receptor; e ao fim do processo se transfere os embriões e aguarda-se pelo resultado.

São pacientes que gozam de boa saúde; reserva ovariana adequada; sem fator aparente de infertilidade; e preferencialmente com menos de 30 anos (é possível até 35 anos). Todas se comprometem a colaborar com o tratamento. Um aspecto muito valorizado é o sigilo de todo processo. Os casais devem se sentir protegidos e amparados para que o processo seja o mais leve possível.

Sim, o Conselho Federal de Medicina (CFM), através da Resolução 2.121/2015, nos permite esse processo de forma normal e para tanto se deve cumprir a regra. Na eventualidade de desejo de mudança o caminho deve ser via judicial. Não compete ao médico autonomia para alterar a resolução. O capítulo IV informa que:

1 – A doação não poderá ter caráter lucrativo ou comercial.

2 – Os doadores não devem conhecer a identidade dos receptores e vice-versa.

3 – A idade limite para a doação de gametas é de 35 anos para a mulher e de 50 anos para o homem.

4 – Será mantido, obrigatoriamente, o sigilo sobre a identidade dos doadores de gametas e embriões, bem como dos receptores. Em situações especiais, informações sobre os doadores, por motivação médica, podem ser fornecidas exclusivamente para médicos, resguardando-se a identidade civil do(a) doador(a).

5 – As clínicas, centros ou serviços onde é feita a doação devem manter, de forma permanente, um registro com dados clínicos de caráter geral, características fenotípicas e uma amostra de material celular dos doadores, de acordo com legislação vigente.

6 – Na região de localização da unidade, o registro dos nascimentos evitará que um(a) doador(a) tenha produzido mais de duas gestações de crianças de sexos diferentes em uma área de um milhão de habitantes.

7 – A escolha dos doadores é de responsabilidade do médico assistente. Dentro do possível, deverá garantir que o(a) doador(a) tenha a maior semelhança fenotípica e a máxima possibilidade de compatibilidade com a receptora.

8 – Não será permitido aos médicos, funcionários e demais integrantes da equipe multidisciplinar das clínicas, unidades ou serviços, participarem como doadores nos programas de RA.

9 – É permitida a doação voluntária de gametas masculinos, bem como a situação identificada como doação compartilhada de oócitos em RA, em que doadora e receptora, participando como portadoras de problemas de reprodução, compartilham tanto do material biológico quanto dos custos financeiros que envolvem o procedimento de RA. A doadora tem preferência sobre o material biológico que será produzido.

Franca e jamais sem muito carinho. Sou muito fã de cada casal que opta por esse caminho. Não são momentos fáceis, mas é preciso entender que é o caminho que dará a gravidez desejada. E afirmo que de todos os casais que passaram em minha vida esses são os mais felizes, os que fazem questão de vir me visitar e ter fotos da conquista comigo. O amor dessas famílias é incrível.

Uma pergunta bastante comum. E complexa. Nós somos 99% parecidos geneticamente. Por exemplo, somos apenas 1% diferente dos chimpanzés. Então se um dia houver necessidade de doação e órgãos certamente a compatibilidade não será tão aplicável quanto de parentes. E mais, hoje o melhor entendimento da epigenética nos permite afirmar que material genético será transmitido via organelas celulares entre mãe e filho. Ou seja, haverá sim genética da mãe.

Na minha opinião as diferenças são muitas. Sim, ter um filho adotado é um ato de amor incrível e que precisa ser replicado. As crianças precisam de lares. Contudo, a recepção de óvulos permitira que a gestação seja acompanhada da forma que a mãe sempre sonhou, que o evento do parto ocorra de forma escolhida, com lactação natural e com o pai sendo o companheiro. A mulher será mãe sem nenhuma diferença de outras mães!

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